Apuleio - Sobre o Deus de Sócrates (Parte 2)
Qualquer uma dessas sentenças é verdadeira – e isto eu abordarei depois –, ainda que nenhum grego ou bárbaro tenha duvidado de tanto a Lua quanto o Sol serem deuses, e nem apenas esses dois – como disse –, mas também as cinco estrelas, que são vulgarmente chamadas de “vagantes” pelos leigos apesar de traçarem eternamente, nas suas alternâncias divinas, os mais ordenados meatos em um curso indeflexo, certo e estável. Com aparências variadas de seu curso, mas sempre com uma e igual velocidade, ora simulam progressos, ora regressos com uma alternância maravilhosa, segundo o posicionamento, curvatura e padrão dos círculos, os quais aquele que conhece o nascimento e ocaso dos signos conhece bem. Aquele que concorda com Platão, inclua também os demais astros no mesmo número dos deuses visíveis...
o Arcturo, as Híades chuvosas e os Triões gêmeos [Ursa maior e menor]
(Virg. En. 3,516)
e outros deuses de similar radiância, com os quais observamos o coro celeste adornado e coroado em céu limpo, tendo as noites sido pintadas por uma graça severa em torva beleza, admirando neste perfeitíssimo escudo do mundo – como diz Ênio – os variados relevos em seus fulgores.
Há outro gênero de deuses cuja visão a natureza nos negou. Contudo, nós podemos os contemplar ao considerarmo-los pelo intelecto, com o olhar mais agudo de nossa alma. Em seu número estão aqueles doze, cujos nomes são agrupados em dois versos por Ênio...
Juno, Vesta, Minerva, Ceres, Diana, Vênus, Marte,
Mercúrio, Jove, Netuno, Vulcano, Apolo
(Virg. En. 3,516)
e outros deuses desse gênero, cujos nomes há muito são conhecidos de nossos ouvidos, mas cujos poderes são estimados pelas almas, por meio das várias utilidades que demonstram na vida, segundo os assuntos que cada um deles cuida.
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